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Casa das Pérgolas Deslizantes 2018-07-11T14:35:26+00:00

Project Description

Casa das Pérgolas Deslizantes

Dados Técnicos

Localização: Bauru, SP – Brasil

Tipo de Construção: Residencial Unifamiliar

Área do terreno: 500 m²

Área construída: 160 m²

Início do projeto: 2012

Conclusão da obra: 2014

Equipe

Autores: Fernando Forte, Lourenço Gimenes, Rodrigo Marcondes Ferraz

Coordenadores: Ana Paula Barbosa, Renata Davi

Colaboradores: Juliana Nohara

Estagiários: Bruno Milan, Carolina Matsumoto, Marina Almeida

Fotógrafo: Rafaela Netto

Construtora: Vettore Engenharia

Projeto de Estrutura e Fundações: Oppea, AM Arquitetura de Estruturas

Projeto de Instalações Hidráulicas e Elétricas: Ramoska e Castellani

Paisagismo: Studio Ilex

Sondagens: MS Tecnologia e Consultoria Ltda

Fomos procurados por um casal de professores universitários para a elaboração de uma residência de programa compacto em um terreno de cerca de 500m2, em um condomínio fechado. O marido, especializado em pesquisas tecnológicas, desejava soluções diferentes do usual e havia ficado interessado em nosso trabalho com o projeto conceitual da casa Tic-Tac (link abaixo) que havia sido publicado poucos meses antes. Já a cliente desejava uma casa mais convencional, mas valorizava muito a relação do objeto construído com o terreno.

http://www.archdaily.com/32549/tic-tac-house-forte-gimenes-marcondes-ferraz-arquitetos/

Pensando nos requisitos dos clientes, propusemos uma casa cuja implantação é à peça chave: dividimos os setores da residência em pequenos volumes e os posicionamos em locais estratégicos dentro do terreno. Muramos os limites do terreno por conta da ausência de vistas interessantes e com isso a casa passou a voltar-se para si mesmo, como uma casa pátio. O propósito deste projeto é uma discussão entre o espaço interno e externo: ao murarmos o terreno e implantarmos a casa em diferentes setores dentro do terreno criamos interessantes tensões entre o construído e não construído, atribuindo características diferentes a esses espaços. Para o usuário ou visitante os limites da construção passaram a ser os extremos do terreno e não mais apenas as paredes da construção propriamente dito. Essa mudança de percepção é fundamental; uma casa de 170m2 passa a ter a sensação de amplidão de uma casa de 500m2. Para intensificar essa sensação espacial e o objetivo de que o jardim passasse a fazer parte da residência propriamente dita, os muros são lavados de luzes a noite, sempre sugeridos como o limite do horizonte da casa pátio.

O posicionamento dos volumes da residência na implantação seguiu um padrão pré- determinado de modulação. Vigas metálicas foram posicionadas seguindo essa modulação e seguindo sempre até o limite dos muros, onde também são apoiadas. As vigas possuem múltiplas funções: travamento das paredes estruturais pré-moldadas em concreto, acabamento das calhas e coberturas metálicas e organização espacial dos diferentes volumes que compõem a casa.

Propusemos um ensaio construtivo neste projeto – a utilização de fundações rasas e simples e implantação de paredes pré-moldadas de concreto, costumeiramente utilizadas no Brasil para vedação de galpões industriais, como vedação e estrutura vertical (ver fotos anexas). As vigas supracitadas são aplicadas sobre estas paredes, terminando nos muros limite do terreno. Um telhado metálico é inserido na alma da viga, com espaço para o forro. Essa montagem lógica durou menos de um mês (das fundações as coberturas instaladas), e garantiu a aparência de concreto aparente onde era desejado.

Ao mesmo tempo em que as vigas metálicas que seccionam o terreno possuem um caráter estrutural, elas também funcionam como trilhos suspensos para que pérgolas e coberturas possam se mover de uma ponta a outra do terreno conforme o desejo do morador. Assim é possível cobrir e se abrigar do sol ou da chuva uma área externa para almoços, jantares ou realizar um churrasco a céu aberto, colocar ou não beirais no escritório, proteger com pérgolas a grande janela do quarto principal, sombrear ou não o solário e assim por diante. Os diversos pátios passam a possuir uma característica espacial mutante graças a essas variações e maior importância no cotidiano, uma vez que são adaptáveis a diversas situações condições climáticas.

A possibilidade de se modificar o sombreamento e proteção de partes diferentes da residência conforme a ocasião ou necessidade do morador é outro artifício que intensifica a apreensão do espaço externo como parte da construção e parte do dia a dia dos moradores. Esta utilização de partes móveis, de deslocamento simples através de controle remoto, permitiu ainda a transparência desejada em grandes trechos da construção em um local com clima tão quente para a ampliação da espacialidade do espaço coberto.

Uma piscina com espelho d’água e um corredor central ligeiramente mais baixo do que os blocos principais, cuidadosamente implantados fecham a composição dessa residência que, apesar de simples e sintética, revela uma ampla gama de informações, possibilidades e sensações diferentes para o usuário tornando-se quase um ensaio sobre as possibilidades arquitetônicas que nosso escritório vem explorando nos últimos anos.

Corte A

Planta Térreo

Detalhes