Casa
SUBTRAÇÃO
ITUPEVA - SP
Ficha técnica
Área do terreno - 3.100m²
Área construída - 485m²
Início do projeto - 2018
Conclusão da obra - 2020

Equipe
Autores - Fernando Forte, Lourenço Gimenes, Rodrigo Marcondes Ferraz
Gerentes - Sonia Gouveia
Colaboradores - Cintia Reis, Daniela Zavagli, Desyree Niedo, Felipe Fernandes, François Caillat, Juliana Cadó, Mariana Lazero, Rafael Saito, Victor Lucena
Estagiários - Guilherme Braga, Mariana Sarto
Fotógrafo - Fran Parente
Construtora - Z2 Mão de obra
Paisagista -  Kalil Ferre
Lighting designer - Castilha Iluminação
Projeto de interiores - Giselle Macedo & Patricia Covolo
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Localizada no Quinta da Baroneza, um condomínio residencial de alto padrão em Bragança Paulista, estância climática a 90 quilômetros da capital paulista, esta casa foi projetada para um casal e seu filho adolescente e implantada em um lote quadrado, com leve aclive e generosa vista. Como a futura construção de residências ao redor poderia comprometer boa parte das visuais, os arquitetos optaram por escavar o terreno na sua faixa central. Criou-se, assim, o subsolo com pátio iluminado, garagem e jardim no nível da rua, elevando-se em contrapartida a casa em relação ao solo. “Como a rua vai caindo, a vista frontal foi preservada”, explica o arquiteto, um dos autores do projeto.
A laje de piso e a de cobertura formam dois planos de concreto aparente que, paralelos, delimitam o espaço onde se distribui o programa. Nele, a maior parte dos ambientes está integrada a terraços externos, com exceção dos quartos e banheiros que, tendo as aberturas voltadas para fora, são como pequenas caixas brancas encaixadas entre as lajes. Contudo, a acentuada horizontalidade do projeto é contrabalançada por vazios abertos nos planos horizontais, desencontrados entre si e associados às escadas. Através dos vazios há a multiplicidade de vistas e o contato visual entre as pessoas na sala, na piscina e no jardim da garagem, bem como a vegetação - as árvores no nível inferior estão crescendo e ocupando parte dos vazios. “O desafio é fazer um programa convencional assumir uma aparência não ordinária”, define o arquiteto.
Tais aberturas registram ainda a passagem do tempo e as alterações climáticas. “O tempo que se vê passar pelas sombras desenhadas pelos vazios da laje e que mudam conforme a hora do dia, criando a geometria que marca o projeto, e o vento que passa livremente, são constituintes da arquitetura”, afirma um dos autores. A sala que integra com o terraço por meio de grandes caixilhos de vidro que, quando recolhidos, tornam imperceptível o limite entre o dentro e o fora. “A arquitetura é um meio de suporte para a aeração e a casa não tem fronteiras claras entre interior e exterior, o que é sempre uma grande preocupação em nossos projetos”, lembra o arquiteto.
Construída com concreto armado moldado in loco, a residência tem programa convencional, incluindo áreas de estar, quatro suítes e lavabo no piso superior; no nível inferior foram alocadas lavanderia e a casa do caseiro. Sua área interna é pequena em relação à externa e a piscina, cuja reflexão da luz suaviza a predominância do concreto aparente, também é um volume encaixado na primeira laje, voltada para a melhor vista. O resultado é uma casa sintética, enxuta embora a sua grande área de projeção, característica corroborada pelos acabamentos de concreto polido no piso e alvenaria pintada na cor branca.
Para o arquiteto, o paisagismo não pode ser considerado como uma etapa complementar. “A casa só ficará pronta de fato quando o paisagismo crescer. Ele é um dos principais elementos da arquitetura, pois ajuda a estruturar os espaços internos e a construir os espaços externos juntamente com o tempo e o vento”.

Por Nanci Corbioli, para a Revista Projeto